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23 de setembro de 2010

portugal tecnológico

Estava eu ontem tranquilamente a observar o jornal da sic e deparei-me com esta interessante notícia. Engraçado, pensei, e recordei-me genuinamente do melhor que nas escolas se pratica.
Hoje, porém, reparo neste espectacular
momento de informação. A notícia não tem grande sentido, mas serve bem para ver como pensam as alminhas que ocupam gabinetes. E pronto. Ri como se não houvesse amanhã.

"Temos uma sala de aulas muito bonita, mas sem condições técnicas. O quadro interactivo não é tão avançado como o que tínhamos na antiga escola e falta-nos a plataforma que garantia a interactividade entre os computadores dos alunos e o quadro, porque nas minhas aulas o que os alunos escreviam no Magalhães aparecia no quadro."

Não há muito a dizer, pois não? Viva o nosso portugalete!

25 de junho de 2009

info-excluídos

Ontem os arautos do plano tecnológico divertiram-se a divulgar no twitter um artigo de um especialista em tecnologia. O senhor considera Portugal como o “líder mundial a repensar a educação.” Por si só isto deveria arrumar o assunto, mas não, pois a Lusa, cumprindo a agenda, lá divulgou o artigo. Sinceramente acho escusado dizer que o senhor não conhece o ensino que por cá se pratica. As descrições que faz, tão elogiosas, relembram-me aquelas experiências usadas por alguns psicólogos para exemplificar a importância de métodos de ensino alternativos e que eram realizadas em grupos controlados com poucos alunos e normalmente escolhidos a rigor. A escola pública, obviamente, não é nada disso.
Não duvido que aquilo a que assistiu o tenha encantado. Basta-me ver os ensaios propagandísticos da distribuição do Magalhães para perceber a que se refere. E como o mundo seria perfeito se os problemas se resolvessem com a distribuição de uma ferramenta. O que certamente não reparou foi no trabalho que estava a ser realizado. Não se apercebeu das fragilidades do nosso sistema de ensino. E certamente nada conhece da forma como tais mudanças estão a ser implementadas. E sem isso a avaliação que faz é de todo inútil.
É evidente que outra coisa não seria de esperar num perito em tecnologia. Ponto deveras importante, aliás. Ontem bem quiseram secundarizar esta questão, mas a verdade é que é no mínimo estranho que se sinta tão à vontade para avaliar reformas educativas. É especialista em muita coisa, porém o que de educação percebe é muito pouco. E duvido sinceramente que tenha conhecido algo mais do que aquilo que queriam que conhecesse.
E tem de haver alguma seriedade na análise destas questões. O mundo não existe só a duas cores. Os tons de cinzento estão todos lá, por vezes bem para além da nossa percepção. Criticar o Magalhães não é criticar a introdução de novas tecnologias. É criticar a agenda, o alheamento da realidade e a pertinência da medida. Já aqui o disse. A tecnologia é fantástica e uso-a diariamente. Mas as escolas têm problemas mais sérios para resolver e as prioridades têm de ser estabelecidas. O Magalhães não pode ser um corrector ortográfico ou uma máquina de calcular e muito menos pode servir uma agenda política. Isto significa que vejo com maus olhos a introdução do computador? Não e não é essa a questão. Esse é apenas o hábito de analisarem os problemas a laia do Prós e Contras. Útil para o silogismo fácil, inútil para a resolução das questões.
O extraordinário é que os tais que se regozijaram com o artigo também nada percebem de educação. Mas têm convictas opiniões sobre o que deve ser feito e sobre os culpados do que está mal. Os professores evidentemente. É pena que assim pensem. É sobretudo uma grande pena que as mudanças que tanto apregoam só possam ser implementadas com a colaboração daqueles que assumida ou envergonhadamente desprezam.
Em suma.
As tecnologias são importantes? Sem dúvida.
A sua introdução nas escolas revoluciona o ensino? Sim, se for bem feito. E não estamos nem lá perto.
Os professores podem ser ignorados no processo? Evidentemente que não, sob pena de uma ferramenta útil se transformar num objecto inútil.
As escolas portuguesas têm problemas mais urgentes para resolver? Sim, só não vê quem não quer. E chega a ser chocante ter quadros interactivos em todas as salas, computadores para todos os alunos, mas não ter uma extensão para os ligar.
E respondendo a vários dislates que ontem foram ditos e juízos de valor sobre o trabalho de quem não conhecem: valorizo muito a escola inclusiva, o acesso livre às tecnologias, mas antes ter no futuro vários “info-excluídos” do que vários “info-estúpidos”. É que a info-exclusão soluciona-se.

31 de outubro de 2008

um tin tin, dois tin tins

Eu bem posso tentar não falar deste primeiro ministro, mas ele gosta mesmo de se por a jeito. Ficámos a saber que o Magalhães é como o TinTin. Vá lá que não disse que dois Magalhães equivaliam a «dois tintins». Teria sido o momento da cimeira. Até daria cachecóis, tal como o «por que no te callas?» aqui na vizinha Espanha.

O preocupante, porém, não é isso. Já sabíamos que o PS gosta muito de «boys». O que não sabíamos é que eles são de facto boys, uns rapazes na verdadeira acessão da palavra. Sim porque se os acessores de Sócrates usam esta maravilha da tecnologia ibero-americana (as palavras não são minhas), não podem por certo ter mais de 7 anos. E se assim for pergunto: o que levam para transportar o almoço? Uma lancheira da Hello Kitty?
Eu cá acho que isto é exploração infantil, digna de investigação da Procuradoria.

16 de outubro de 2008

magalhães à ca(nta)rolada

Ainda estou incrédulo com esta notícia. Parece-me surreal. São imagens de uma acção de formação dada a propósito do famoso Magalhães. Sim, uma das tais formações obrigatórias e que servirão como um dos parâmetros para avaliar o corpo docente. Ao que parece o Ministério (através dos responsáveis pela iniciativa) convida os professores a «inventar» canções e letras de louvor ao portátil.
Eu aqui nem sei o que criticar. Se os imbecis que se predispõem a isto, se os energúmenos que promovem esta palhaçada. Seja como for estes três vídeos disponibilizados no youtube são uma vergonha.
Para todos os que ainda louvam este ministério ponham os olhos nisto. É este o tal ensino sério e com resultados que se promove por cá. A polémica aqui só surge porque felizmente ainda há professores com coragem e dignidade suficiente para denunciarem isto.
Termino como a notícia. Com a nota divulgada pelo Gabinete de Comunicação do Plano Tecnológico da Educação. Segundo estes inteligentes as acções constituíram, para os professores, uma "mais-valia". Será possível ser mais ridículo?


9 de outubro de 2008

foi por isto que Magalhães fugiu... para Espanha

Portugal é assim. Semanas há em que nada de significativo acontece ou, pelo menos, nada que nos faça chorar de tanto rir. De repente a confiança destes vigaristas que nos governam aumenta e, então, o descaramento dá para tudo. É genial ouvir que afinal o nosso ministério da educação enviou a factura da internet do programa Magalhães para as nossas autarquias. Assim é fácil fazer oferendas. Distribui-se, recebe-se os louros e depois envia-se a factura a outrém. Não se diz explicitamente para pagar, faz-se à moda do diálogo guterrista. Podes decidir não aceitar, mas olha que somos nós que ditamos o teu orçamento. Não te estou a pressionar, és livre de decidir. É impressionante a lata desta gente!

23 de setembro de 2008

a tecnologia por um «estreito»

Magalhães. Nome de grande navegador. Hoje, nome de mais um gigantesco negócio e de uma boa ideia mal concretizada. Nada me move contra a ideia de distribuir computadores, de «democratizar o ensino pelo acesso à informação», utilizando palavras da nossa ministra pinguim. Mas é inevitável perguntar: alguém tem um plano para todo este investimento em tecnologia?
Eu sei que as eleições estão a chegar. Num país onde para se obter um voto basta oferecer um boné ou um autocolante a ideia de premiar as famílias com portáteis nem é má. O problema é o uso que se dá a tudo isto. Podem gastar toda a prosa que quiserem. Apontar as vantagens da tecnologia é fácil. A verdade é que ninguém preparou professores e famílias para com ela lidar. E assim sendo volto a perguntar para que serve. Claro que percebo a ideia geral. E no mundo da fantasia seria genial. A realidade, porém, é outra. O melhor exemplo será este: o analfabetismo praticamente desapareceu, as pessoas conhecem as letras e até as sabem juntar. Não as percebem, nem as sabem utilizar, mas conhecem-nas. O mesmo se passa com esta febre da tecnologia. Muitos a usam, poucos a sabem verdadeiramente aproveitar.
O que é fácil de perceber é o negócio por detrás de tudo isto. Os computadores que as operadoras vendem por 150 euros acarretam uma fidelização. Paga o equipamento e algo mais. Os quadros interactivos são muito úteis, particularmente para o inglês, pois o software em Português funciona mal ou não funciona de todo. Mas os fornecedores agradecem. O famoso Magalhães é um negócio da china, um Tsunami de dinheiro que varrerá os bolsos de todos.
Nunca percebi a lógica de inverter o processo natural de «construção do edifício». Não há tecnologia que funcione sem quem a domine e possa rentabilizá-la. Assim só serve para formar excelentes modelos, como os do vídeo que se seguem. É disto que precisamos. Em mais quantidade. Certamente!